Libertação Sexual - Com Dra. Tchela

Atualizado: 15 de Set de 2020

Lembra-se da primeira vez que sentiu o olhar de um adulto que a deixou incomodada? Quantos anos tinha?


Na sua maioria, as mulheres são alvos de olhares, comentários e pensamentos sexualizados desde uma tenra idade, ao mesmo tempo que são condicionadas a agir de forma recatada, submissa ou “feminina”, como se não fossem seres com uma individualidade própria.

Muitas meninas ou adolescentes têm um despertar da sexualidade influenciada pelos adultos ao seu redor (homens e mulheres), pelos olhares ou comentários dirigidos a elas ou sobre elas. Às vezes, são comentários que passam despercebidos porque para o público em geral são considerados “positivos” e até mesmo lisonjeadores, mas que acabam por colocar na criança, adolescente ou mulher, uma consciência diferente do próprio corpo. Por exemplo, comentários que falam sobre o tamanho dos peitos, nádegas ou cintura, que, indirectamente, sugerem que certas características são “melhores” que outras. Pode acontecer a mulher sentir um senso de alienação e vergonha com o próprio corpo quando a atenção indevida é direccionada a ele ou desenvolver uma preocupação exagerada com o corpo como se ele fosse a única coisa de valor que ela tem em si.


As mulheres ouvem muitos comentários agradáveis e/ou desagradáveis, não pelo carácter que têm, mas pelos seus corpos, o que gera a seguinte reflexão: a quem pertence o corpo da mulher? Porquê que é normal falar sobre o corpo da mulher como se ela fosse um objecto cujo valor provém daí? E para que serve esse valor? O que é que se obtém com o corpo?


Muitas mulheres assumem um papel submisso na relação com os seus parceiros devido a uma mentalidade em que o homem, o casamento, os filhos e a família são postos em primeiro lugar e é o dever delas manter a relação, retirando do homem a corresponsabilidade de manter a harmonia e a saúde mental na relação. Parece existir uma maior preocupação na mulher em agradar o seu parceiro para não correr o risco de perdê-lo ou desapontá-lo, do que existe no homem em, igualmente, agradar a sua parceira.


É necessário quebrar a objectificação sexual da mulher. É necessário as mulheres resgatarem o que é delas por direito: os seus próprios corpos e as suas essências. É necessário falar-se sobre pessoas, valores, sexualidade, género e sexo com naturalidade e reflexão, e assim aumentar a consciência que temos sobre pessoas enquanto indivíduos e pessoas enquanto seres sociais. Cada um(a) de nós deve ter a liberdade de desenvolver o seu carácter conforme a sua essência.

Mulher, quebre a objectificação sexual que se fez acerca da sua imagem e do seu ser. Mulher, seja assertiva com os seus desejos, sonhos e ambições e construa uma relação equitativa com o homem em todas as esferas da sua vida (pessoal, familiar, social, ocupacional e sexual). Não tenha medo de dizer: “quero isso… não quero isso… gosto disso… não gosto disso… faça assim…. não faça assim… sou assim… não sou assim…”


Mulher, a sua essência não deve ser acorrentada, manipulada e/ou estampada como um objecto para a gratificação masculina. Liberte-se e seja você mesma. Valorize-se e valorize outras mulheres. Nenhuma mulher nasceu para ser subserviente; evolutivamente, as mulheres e os homens têm o mesmo grau de importância: a espécie não sobrevive sem o seu par. Somos todos humanos e cada um com o seu valor.


Toda a mulher merece respeito, amor, cuidado e um tratamento digno. A liberdade começa na mente de cada um(a).


Mulher, como é que você se vê?


Autora: Tchela Silva


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