Elisângela Rita, “Spoken Word Poet(isa)" – À conversa com o Clube das Empresárias

Atualizado: 29 de Out de 2020

Poetisa Angolana e Membro do Global Shapers Community



Poetisa desde a adolescência e artista de spoken word desde 2013, licenciou-se em Direito Comercial na África do Sul e concluiu o mestrado em Tributação Internacional nos Estados Unidos da América. Curadora e produtora do Luanda Slam, competição de spoken word em Angola que conta com cinco edições (de 2015 a 2019), é também co-fundadora da casa da cultura e das artes Casa Rede. Falamos de Elisângela Rita.






Quem é a Elisângela além da poesia?

Sou uma mulher angolana, filha de angolanos, nascida e criada na Chicala, em Luanda. Sou Leonina, sonhadora e faladora. Trabalho em tributação internacional, produzo eventos culturais e sou escritora. Amo viajar e sou livre.


Ficou em segundo lugar no concurso de Spoken Word Africano! Desde quando é que surgiu essa paixão pela arte?

A arte em geral sempre andou comigo. Descobri que fazia spoken word nos eventos de poesia Artes ao Vivo, onde comecei a declamar poemas meus, em 2012.


Como foi participar no Festival Internacional Poetas D’Alma em Moçambique?

Esplêndido. Muito divertido. Aprendi bastante sobre produção cultural, conheci pessoas muito talentosas. A cena cultural em Moçambique está muito desenvolvida e faz-se muito com poucos recursos. Nota-se que a cultura e arte lá são valorizadas.


Apesar do momento em que vivemos devido ao novo coronavírus, quais as experiências negativas e positivas da realização da 4ª edição do Muhatu?

Foi difícil reunir apoios. Aliás, todos os anos, mesmo sem a pandemia, esta é a tarefa mais difícil. Este ano não foi melhor neste aspecto. Mas conseguimos superar e notamos que, até por causa da pandemia, as pessoas estão mais presentes nas redes sociais e dispostas a participar em eventos virtuais. Outra vantagem foi o público além-fronteiras que obtivemos devido à exposição nas redes sociais.


O que achou da performance da grande vencedora da 4ª edição da competição, a Lua?

A Lua sempre me chamou a atenção por aparentar ser serena mas muito incisiva nas palavras. Os três poemas que ela recitou no Muhatu 2020 foram muito fortes e muito bem escritos. Ela mereceu vencer, foi a favorita.

Como é que esta pandemia afetou a arte, principalmente em Angola?

É difícil falar sobre a arte em geral pois é um universo de mundos muito específicos. O spoken word e a poesia foram bastante afetados pois são artes performativas que requerem público, o que não tivemos por seis meses. Os artistas, de um modo geral, já têm constantemente que provar o seu valor para ter algum rendimento, mas nesta fase isso tornou-se ainda mais difícil.


Como tem sido a evolução do Muhatu ao longo dos anos e qual a importância de haver um concurso específico apenas para poetisas?

Temos ficado mais organizados, aprendemos com as experiências passadas e estamos uma equipa cada vez mais coesa. O concurso este ano esteve bem melhor que no ano passado, estamos mesmo felizes com o resultado. As concorrentes também vieram com mais garra e textos muito bem estruturados. O concurso para mulheres torna-se numa plataforma através da qual a voz feminina é escutada. Por duas horas a plateia fica parada a ouvir os amores, dores, sentimentos, necessidades, exigências, direitos, verdades e sonhos de jovens mulheres.


Como se sente por fazer parte da Copa Africana de Poesia Spoken Word?

Honrada. É um movimento muito bonito de jovens africanos que fazem acontecer e movimentam a arte no continente.


Existe algum projeto futuro que nos possa revelar?

Temos na folha o Luanda Slam 2020, que é o 1º concurso de spoken word para ambos os géneros. Aliás, as três melhores qualificadas no Muhatu 2020 estão apuradas automaticamente para este concurso que irá decorrer em Dezembro de 2020.


Que conselho deixaria para as futuras jovens apaixonadas pela arte e poesia mas quem têm receio de declamar?

O medo tem de ser olhado de frente, assim ele desaparece, perde a força e conseguimos seguir. É normal ter medo, só não é correcto deixar que ele nos paralise. A arte liberta, expande, evolui. Quando fazemos a nossa arte ou consumimos arte de outro, crescemos e conectamo-nos com algo maior que nós.

Conecte-se com Elisângela:

www.beloesia.com

Facebook: http://www.facebook.com/elisangelarita

Instagram: @liz_ely






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